sábado, 15 de abril de 2017

Sensório Memorial



I- O pintor

Nas mãos, linhas
Linhas em vão
Aquilo que pinto
Ao pintar, pois, habito
Em restos de tinta em seco chão.

II-  À musa

Sou criador, és criatura
Sensório e memorial
Compositor e partitura
Abstrata arte residual.

O que te conto da minha arte senhora e desigual?

Sou morte, sou música
Sou pintura desigual
És vida, és surda
Meu quadro conceitual.

O que te mostro de minha arte sem hora e factual?

És a musa nua e crua
Em pele rubra tecidual
Sou a sombra obscura
Da pintura habitual

O que te escondo em minha arte desnuda e radical?
Sou cadáver, és minha musa.
És divina, sou marginal
Sou pintor, és a pintura
Da memória sensorial.

A que te remeto em minha arte cruel e magistral?


III- O Juiz

Verba interficere!

O advento da musa cor
Da memória, triste sabor
Na arte profana, um trovador
A ti jamais há de haver louvor!

Verba Moriatur!

Da tua arte, há um senhor.
Da tua memória, um detentor.
Teu riso torto, escarnecedor.
Exiba teu rosto, não vá se opor!

IV- O corpo

Nas mãos tintas
Pintou em vão.
O que criou
Ao terminar, pois, desencarnou
Do pintor e de sua musa
restou apenas uma alusão:

"Sangue rubro em forma de tinta
Espalhado em seco chão..."


Carlos Diego dos Santos Muniz.


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Weird, to ligado!
Eu e minhas esquisitices.
Espero que, quem possa ler, goste.

A paz de Jesus e o amor de Maria, sempre.

D.

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