segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Imersão

Tão oco e tão triste
o vazio insiste
Em mostrar que faz parte
Dentro de mim vira arte.

Na tristeza interior
Arremato o exterior
Desfiguro o correto propulsor
refaço o personagem de mim no ator
Calo o âmago desfigurado e indolor.

E quando olho no espelho
Nada vejo além da alma...

Nada preenche tanto
quando aos poucos me espanto
Em tanta beleza que irradia
Há desprazer e agonia

E quando olho no espelho
Procuro dentro de mim a calma...

Certo de meus medos
Afogado em desespero
Na luta confio em minhas mãos
Ajoelho desesperadamente em oração.

Quando angustiado me ajoelho
Ouço, então, de Deus a fala...

Ao ouvir sua voz
Que preenche a inerte alma
Cubro o medo de esperança
Volto a seguir, confiante, a estrada.

E tudo o que me diz
Dá-me forças para o destino
Sem medo, porém de cautela preenchido
O triste homem torna-se corajoso menino.

Sem estar oco e já não necessariamente triste
Não há vazio que insista
Ao ver que esporadicamente deixa de fazer parte
da esperança que sou em arte.

Carlos Diego dos Santos Muniz.

sábado, 21 de setembro de 2013

Reconstrução

E lágrimas vão
de jardim de inverno a verão
..de quem são...?
..para onde vão...?

Lágrimas do que já se viu
lágrimas do que já se fez
na poesia de revez
o contra se juntou ao prós
o nosso eu que vira então nós
nas lágrimas do jardim torna-se voz.

Eu clamo pelo dia do sim
somatizo os dias de não
os muros que me sustentam se desfazem
minhas lágrimas e meu ser caem ao chão...


E tudo o que sobra...
é poeira de reconstrução.


Carlos Diego dos Santos Muniz.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Aposento

Há um repente
Consistente
insistente
Na área de mim decadente
Algo dentro de mim que refaz...

Enquanto sou poeira
de dentro de mim mostro a faceta
incrédula
inóspita
de dentro da minha casa a estreita beira...

Um lar refeito
dentro de mim um defeito
Escondido no ar puro rarefeito
e da poeira da vida sinto o efeito.

Incrédulo em mim o receio
Sou como um cômodo vazio e estreito
coberto de poeira trazida pelo vento perfeito
que me cobre de vestimentas do tempo, o esteio.

As bases soberanas que comportam meu ser
na arte profana do lar que desenhei
são profetas questionadores do amanhecer
nas portas e janelas no mar que naveguei...

E eu vejo o tempo passar
Como a poeira do que não há
deixo cada profecia na minha arte falar
E nas linhas das paredes de minha face verdejar...

E, na iminência de um novo inquilino trovador
florescerão novas poesias em amor e desamor
Paredes umidificadas ao brilho retornarão
E a poeira com o vento irá, então...

E serei, então, uma nova morada...

Carlos Diego dos Santos Muniz.
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Às vezes nem eu me entendo...

A paz de Jesus e o amor de Maria, sempre.

A propósito, escrevi ouvindo isso: http://www.youtube.com/watch?v=qycqF1CWcXg

Acho que ler ouvindo fará bem...ou seja, releia, rs

Bjos!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Autorretrato



Qual poeta não é romântico
e não ama nas linhas que redige?
Qual poeta não se estende
e é prolixo na poesia em que reside?

Qual poeta não sente
e reescreve dor e paz em poesia?
Qual poeta não se arrepende
ao perceber em suas linhas o dia-a-dia?

Qual poeta não se perde
ao reler sua intensa paz e sua alegria?
Qual poeta não chora
e sua ao escrever suas humildes linhas?

Qual poeta não se arrepia
quando a junção de palavras se torna verso,
quando versos unidos tornam-se estrofes,
quando próximas estrofes se tornam poesia?

Qual poeta não escuta
ao ler palavras mudas?
Qual poeta não proclama
em versos estáticos tudo aquilo que mais ama?

Qual poeta não vive
tudo aquilo que transcreve?
Qual poeta não se redime
em perdão poético que não se mede?

E, ao fim, qual poeta não morre
num último verso fatal?
Nos resquícios de sua poesia
torna-se, pois, figura imortal...

Carlos Diego dos Santos Muniz.

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Acho que sou um poeta nas linhas da vida. E é exatamente assim que me sinto.

Uma singela homenagem aos meus amigos poetas, em especial pro Caio Cardoso Tardelli, e meu mais novo Márcio Nunes!

Caio, sabe que vc é grande!
Márcio, não precisava agradecer, a gente tem muita estrada pra seguir ainda! E a gente se ajuda!
Forte abraço a todos!

A paz de Jesus e o amor de Maria, sempre!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sequência

I- Atos

Na opaca parte
Prazer narrado em arte
Despudorada tentação
Ancorada imensidão
toca-te
toca-me
Comovendo-te na pele
Imerge
Insere
E transfere o que me falta em tese
No prazer
No gemer
No ato despudorado de se ter
Há o que falta
E sobra
Em teu corpo meu corpo se desdobra
E no prazer, amor...

II- Fatos

O carinho, a candura
A imensidão na água que corre em ternura
No teu corpo o laço
Na sutileza em que lavamos nosso abraço
Em teu carinho me refaço
Em teu sorriso me retrato
Vivendo nosso amor em fatos
Deixando água correr em nosso espaço
E a paz transpassando nosso relato
De um amor consumado em dois atos...


Carlos Diego dos Santos Muniz.