quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Declínio


A rainha

Entregue em suas mãos, guerreiro
Jaz a caixa com meu suspiro esguio
de um conforto o seu confronto
Rumo a segurança, portanto eu envio

Os caminhos que o levarão
Rumo ao destino, sua direção
serão tortuosos e sem esperança
há de cuidar-se guerreiro então

Leve na caixa como que tua vida
de todo um reino a esperança
De forma a recriar num futuro nossa vida
Reconstruir, pois, nossa aliança.

Leve por ti e pelo povo a paz.


O diário do guerreiro

Faço das pedras minha proteção
cuido de meus passos, mas o faço em vão
Sou preso e amordaçado pelos inimigos
E preso por meu medo pagão

A caixa levo em mãos
Escondida como véu
E em meio a esta batalha
Na prisão, em minha mordaça
Reinvento esconderijos ao tornar-me então o réu.

Minha prisão iminente
Fez-me, pois, tão descontente
e a fuga tão descrente
mostrou-se então capaz.

Matei terrivelmente
os inimigos da senhora
Fujo tão intensamente
sem importar-me como outrora

Com o suspiro da rainha
na caixa aterradora
E o destino, ponto alto
minha terra protetora.

E, no caminho, sinto agora
O inimigo por detrás
o ouço à espreita, sem demora
De detê-lo não serei capaz.

Levo por mim e pelo povo a paz.

O inimigo

O diário foi lido
nada foi encontrado
no corpo do guerreiro
não há suspiro algum guardado

Nas sombras ainda busco
preciso, então encontrar
Refazer do guerreiro o caminho
descobrir onde tal suspiro está

Não havia tempo, decerto
para o guerreiro ir além
A caixa está,portanto escondida
No caminho trilhado, perdido
Que por detrás percorremos também.

Revistemos cada casa, cada vila
Deixemos sombra e nosso horror
Até que encontremos da vadia o gemido
que cause morte após o torpor.


Um bilhete amassado

Fugi, rainha. A caixa está em minha mão. Levo ao destino.Não sei muito escrever, não sei rimar, não sei poesia.
Meu irmão leva o bilhete.

Levo por mim, pelo povo humildade e paz.



O inimigo amassou o bilhete, que nunca chegou às mãos da rainha e fincou a espada no peito do menino camponês.

Carlos Diego dos Santos Muniz

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Sim, sei que foi estranho. Sim, sei que foi diferente de tudo o que já fiz. Só me digam o que acham, por mais louco que possa soar/parecer. Obrigado, meus amigos, por apreciarem meu trabalho. Sem seus ínfimos, porém incríveis comentários, me faz feliz feliz.

Ps.:A imagem foi gentilmente cedida, procurada e montada por Luiz Ramôa. Nem sei como te agradecer, cara!!

Ps2.: continua.