"Não "Toque o passado como a ti convém
Marque seu retrato que, como a mim, mantém.
Traga-me tua sorte como minha virtude
Entregue tua virtude como minha morte.
"Sim"
Teus olhos marcam o que da sofreguidão restou
Da sorte mortal da vida um intenso desamor.
E quando tua sombra cobre o passado que sonhou
Minha cabeça ponho aos pés de todo o vil torpor.
"Talvez"
Tuas pálpebras ainda me recordassem uma triste manhã
Feito o espectro da tua traição que em mim encarnou
Escarnecida no vento que meu cabelo acariciou
E sua voz que lembra a virtude anciã.
"Não"
Teus vícios não mais doem como bastardas dores
Tuas palavras já não mais causam tristeza como suas cores
Tuas imersas dívidas não mais imitam realidades em desamores
E tuas janelas não mais estão abertas como teus rumores.
"Mas, sim"
Caso tentes mirar meus olhos, tuas pálpebras secarão
Caso tentes sorrir em minhas mágoas, há de parar teu coração
Caso encontres minha na estrada, teus passos cessarão
Caso encontres minhas mágoas, teus pulmões se afogarão.
"E, não"
Nada sinto além do desprezo pelos teus dias.
E a tristeza provinda de tuas alegrias.
Mas com isso posso lidar em ousadias.
Faço de cada uma de minhas palavras artes de tragicomia.
Até que não haja mais pedaços de ti...
Carlos Diego dos Santos Muniz.
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