domingo, 6 de abril de 2014

Côrte ao verso - Parte I

Puseram-no ao centro
Todas as vozes
Falando ao Eco
Da alma o assombro desperto.

Faziam do pobre o comum
Num prostíbulo literário absorto e senil
Das palavras trágicas a insensatas
O esterco da poesia servil.
Ao ouvir o coral aclamar:

"PARVO"

Ao som de parvo
Ressoava o bravo
E o poeta debutava o aclamar.

Palavras em vão
Vento puro literário como água em seco chão
E o poeta agonizava no ardor de sua mansão
Ao ouvir o coral aclamar:

"INSÂNIA"

O desespero
Da poesia a falta do medo
E a ousadia dos abutres a gritar:

"DESVARIO"

Tratava-se se de um puro, trivial trovador
A aclamar poesias em desatino,desespero e ardor.
Ouvindo vozes-reflexos de seus pensamentos
Da retórica-poesia atirado ao centro
E ouvindo vozes cafetinas da língua ao relento
Deitava-se, nu, prostrado ao seu intento
E ouvia o coral de abutres a conclamar:

"FRÍVOLO"

Amargura ansiava pelo fim
Dos versos incertos e incestuosos arfando em si
A nudez de sua pele a gritar
A vingança por vil momento a pulsar
Sujo pela alma que doía a lacrimar
Saía de si o grito que na alma deveria pulsar
E seu grito maior que a alma, aos abutres direcionar
E demônios expulsar
Enquanto sua única voz ressoava às faces a observar:

"Tolos, todos vós
Frios e servis
À vingança da poesia suja da minh'alma clara há de vir
No advento de tua desgraça, minha poesia há de persistir
E, no que me desnudam, hoje, hei de arrastá-los a não existir"

E, por uma eternidade efêmera, houve silêncio na sala"

Continua...


Carlos Diego dos Santos Muniz.

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E ae, o que acham?

Bjos.