quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Penitência

Deram as mãos
As mãos soltaram
O menino e o velho
Separados voltavam.

O menino em farrapos
O velho em traços
Soltos e unidos a seguir seus passos
Um seguindo o  outro em bons e maus tratos.

Soprava o vento como a areia da praia
O menino no escuro sua brisa escutava
E o senhor,  de costas com experiência cantava
“Que a tentação impetuosa não o distraia”

O senhor observou o menino a caminhar
Invisível nos poros que podia tocar.
O menino insistia novamente em errar.
E o velho sorria contente ao lembrar.

Despiu-se de sua camisa na chuva o senhor.
Olhava no espelho o menino indolor
Suas cicatrizes reais no espelho não via
O menino insistia em machucar-se em agonia.

A estrada a frente, então seguia
O menino nu e inocente de seu passado fugia
Nada da vida este receptáculo em branco conhecia
Corria um idoso de cicatriz tão vazia.

Encontrou a si mesmo no dia fatal
Tentou impedir o menino da fuga letal.
Esbofeteou-se em piedade e crueldade, aflição
Encontrou-se prostrado como um mar de seco chão.

Já era nada.
Já era uma cicatriz da madrugada.
Chorou em seco chão.
Chorou inerte na multidão.

Voltou o menino.
Deu a si uma rosa.
Selou o destino.
Em tristeza honrosa.

Deram as mãos.
Duas mãos ataram.
Passado e Presente.
Nunca mais voltaram...

Carlos Diego dos Santos Muniz

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