domingo, 6 de julho de 2014

A canção do mar

Pedia-te
"Não deixe-me à deriva"

Parecia ela uma musa do mar
À deriva de seu próprio barco a naufragar
Quem era?
Quem poderia ser?

Pedia ao som das águas, seu arfar
Seu tom cor-de-vento cinza a lacrimar
E a música da musa, a mulher acalentar.

Como se fosse da tempestade sereia
Clara como seca areia
Era ela a musa da tempestade alheia
E seu capitão ela poderia levar a naufragar

Pedia-lhe
"Não deixe-me naufragar..."

Via o vento como sua pele a encontrar
E a tripulação a sua beleza invejar
Era a musa do vento do mar
E seus sentimentos marujos da vida no oceano
Deixavam medo e vento a lutar.

Até que seu capitão voltasse.
De um mergulho num oceano novo sem fim.
A mulher, a musa, a rainha-sereia a chorar.
Observando a areia do tempo nas águas a passar
Entendendo que o mar era então seu eterno lar de cor marfim...

Pediu-lhe
"Não me deixes afogar.."

Mas o silêncio das águas foi tudo o que a cercou.
E tornou-se a eterna poesia singular daquele imenso mar...

Carlos Diego dos Santos Muniz

2 comentários: