domingo, 24 de março de 2013

A poesia de nós



Em mim...


Havia um risco
na linha imaginária
Um inciso
na regra inacabada

Havia um grito
na agonia sufocada
Um resquício
da poeira acumulada

Nos colchões
Nos lençóis
Onde estivemos a sós
Na poeira 
da lareira
E do fogo dentro de nós.

Havia um livro
na estante empoeirada
Um verso escrito
em sua alma conturbada.

Havia um silvo
No silêncio que abrigava
Um sigilo
na mentira que narrava.

Do fim
do estopim
de nosso grande pequeno jardim
Da escada
iluminada.
Do caminho que houve em mim.

Em ti...

Havia uma estrada
que abrigava a madrugada.
Houve uma história
esquecida na memória.

Havia um pacto
esquecido num retrato.
Havia uma carta
esquecida e inesperada.

Mas o deserto,
tão certo.
A flecha no meu meu peito aberto.
De ti inteiro
o centeio.
A minha morte, o meu receio.

Nós...

Houve uma promessa
esquecida em tanta pressa.
Uma vontade
Trouxera infelicidade.

De ti.
De mim.
Dos nós internos dos quais fugi.
Da mente.
Da chama.
Quando de dois um não mais ama.

E percebe-se, então
que nós cegos na imensidão
são caminhos obscuros
perpetuados por tentação.

E o nós
composto de ti e de mim
transformou-se em nostalgia.
Encontrou, então, seu fim.

Carlos Diego dos Santos Muniz.


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Por favor, preciso que comentem, meus lindos!
Escrever de novo me faz bem.

Cardoso Tardelli: vê a pontuação pra mim, please?
Diego Coelho: rimas, melhor?

A paz de Jesus e o amor de Maria a todos!

Beijos.




15 comentários:

  1. Sobre memórias. Dificil de lidar com...
    Muuto bom, Diego!

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  2. Melancólico...
    Cara, que legal!!
    Super curti! ^^

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  3. Parabéns Diego! Ficou ótimo :) Queria saber escrever assim... hahaha

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  4. Interessante essa forma de buscar detalhes em um término de um relacionamento.
    Muitas vezes não temos tempo nem para pensarmos em nós, nessa riqueza de detalhes e no que já passamos.
    Tudo acaba sendo somente um vazio no nosso passado, quando na verdade existiu uma história.

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  5. Nossa que coisa,
    escreves super bem guri^^

    Gostei!

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  6. Profundo e apaixonante. Muito bom como sempre, Diego. Parabéns.

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  7. "E o nós
    composto de ti e de mim
    transformou-se em nostalgia.
    Encontrou, então, seu fim."

    QUE LINDO!
    Sem mais.

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  8. Perfeita. Lendo suas poesias me deu saudade das minhas aulas de português e redação, quando eu e meus alunos viajávamos na mente do poeta. Assim que eu voltar a lecionar usarei suas poesias se me permitir... Bjs meu grande poeta.

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