sábado, 20 de fevereiro de 2010

Opium


E os restos de mim foram jogados ao chão

Como certa menina mendiga
quem em sua estrada vende seu pão
E os sinais percorrendo sua fome
Seu dia, sua luta, tudo em vão.

Como os restos de si tornaram-se perdão

E a cascata de seu sangue
se revelava em proteção
E a membrana deferida
se rompia sem compaixão

Conforme o resto do dia se prolongava então

E a menina, minha agonia
torturava-se então
E a sede pelo espírito
me causava compaixão

Conforme a chuva caía lentamente em seco chão

E a turva luz do dia
Emanava a lentidão
Da minha droga, minha alegria
que clamava a absorção.

E os tremores da terra desestabilizavam seu chão

Trazendo o fim da agonia
da menina o perdão.
E da minha cura momentânea
temporária sensação.

E nada.

Nada até o próximo torpor
os restos de mim recolhidos, todos eles sem amor
O perdão exclusivo com cicatrizes de rancor
O resto de seu dia vivido em desamor
A chuva e o chão desestabilizados em ardor
Dos pés que raramente pisam em terras sóbrias de vigor.

E a espera pela cura ardendo seco como a dor
Enquanto respinga minha alma toda suja sem pudor.

Carlos Diego dos Santos Muniz.


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Obrigado mais uma vez pela visita. Favor, o mesmo esquema, dizer qual estrofe e porque.
Grande abraço a todos.




20 comentários:

  1. Oba, serei o primeiro a comentar!
    Em suma:
    Texto de um incrível primor,
    Que enriquece o leitor,
    Proporciona um grande sabor
    e nos enche de um doce amor.

    Parabéns!

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  2. Nossa, muiito lindo.
    Como você mesmo disse.. meio dark! rs
    Mas eu amei =)

    '' E a espera pela cura ardendo seco como a dor
    Enquanto respinga minha alma toda suja sem pudor. ''

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  3. Como certa menina mendiga
    quem em sua estrada vende seu pão
    E os sinais percorrendo sua fome
    Seu dia, sua luta, tudo em vão.
    Bom, o poema é muito bom e as rimas são ótimas. Particularmente, eu não faria melhor.

    Esse trecho, especificamente, me lembrou de uma música do Rosa de Saron, o Anjos das Ruas.

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  4. Simplesmente perfeito. cada verso traz sem si uma grande sensibilidade e delicadeza que não explicação.

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  5. Sempre fantástico, meu caro! Sempre de uma profundidade que arrepia e a faz com que sentimos os seus sentimentos, transmitidos nor versos, correndo nas veias e se irradiando pelo corpo.

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  6. "Trazendo o fim da agonia da menina, o perdão.
    E da minha cura momentânea, Temporária sensação!"
    Lindo!..perfeito!..retratando muitos...um de nós...ou quem sabe um de nós dois!

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  7. "E a espera pela cura ardendo seco como a dor
    Enquanto respinga minha alma toda suja sem pudor."

    Ai, sei lá o que falar. :X
    Não tá saindo nada, rs.

    Boa sorte no blog, tá ficando bem legal. Muito bom esse último post.
    :*

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  8. PARABENS ..

    Vc escreve MUITO bem ..

    Continue assim ..

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  9. Esta está bem complexa, mas adorei a penúltima estrofe :D

    Abração!!

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  10. ''E a cascata de seu sangue
    se revelava em proteção
    E a membrana deferida
    se rompia sem compaixão''

    esse é a mais tocante

    E a espera pela cura ardendo seco como a dor
    Enquanto respinga minha alma toda suja sem pudor.

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  11. ...E a espera pela cura ardendo seco como a dor
    Enquanto respinga minha alma toda suja sem pudor...

    ou seja, mostro-me sem medo de sensações ou de que seja apontado, mostro-me cruamente, como sou, sujo, feio, arrumado, lindo, ou simplismente normal.

    Muito bom, ganhou mais um 10 e uma estrelinha, huahuahua, abraço Di

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  12. "E a menina,minha agonia
    Torturava-se então
    E a sede pelo espirito
    Me causava compaixão"

    Foi a que mais me impressionou.
    Apesar de obscuro é incrível.
    Tenho que dizer que fiquei muito feliz de ter visto primeiro.

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  13. "Nada até o próximo torpor
    os restos de mim recolhidos, todos eles sem amor
    O perdão exclusivo com cicatrizes de rancor
    O resto de seu dia vivido em desamor"

    Não é a estrofe inteira, mas este versos tão lindos! A poesia é forte!!! E por mais que estes versos sejam também de certo peso incômodo parecem-me mais calmos diante do todo!

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  14. Um texto forte e com um peso mórbido e lindo ao mesmo tempo!
    Muito bom.

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  15. Je pense qu´il y a quelqu´un amoureux!

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  16. Quanto talento...
    Amigo, professor e "filhão"....
    Parabéns

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